O peixe come o isco porque tem fome. Procura alimento no habitat que frequenta e mais depressa engolirá o anzol iscado quanto mais este se assemelhar áquilo a que está habituado a comer.

Um isco deve, portanto, parecer-lhes o mais >>natural<< possível mesmo se na caixa de material de um pescador experiente o que abundar forem os iscos artificiais. A dificuldade de encontrar iscos vivos, a capacidade inventiva dos pescadores sempre prontos a experimentar novos caminhos para obter os resultados desejados, a comparação entre experiências diversas, a exigência do mercado de aumentar a variedade dos produtos postos à disposição dos consumidores em medidas diversas, mas, sem qualquer dúvida, significativas, contribuíram no seu conjunto para o desenvolvimento dos iscos artificiais, vulgo amostras.

Vale a pena examinar estes dois tipos de isco para ter um ponto de referência a partir do qual se possa caracterizar o >>mundo<< dos iscos.

Iscos Naturais para pesca

Os iscos naturais

Habitat, estações do ano, tipo de pesca, concorrem entre si para determinar o tipo de isco mais eficaz. Um olhar ao mundo natural dará a qualquer pessoa algumas indicações. Serão, no entanto, a experiência e a disponibilidade real a determinar a escolha do isco natural. Tal isco, nalguns casos insubstituível, é muitas vezes difícil de encontrar.

Do mundo vegetal

O mundo vegetal revela-se rico em recursos; está de facto em condições de oferecer durante as várias estações do ano iscos particularmente apreciados por numerosas espécies de peixes. Cada pescador escolherá o mais fácil de encontrar, experimentando soluções diferentes e tendo sempre presente que nunca deve desistir ao primeiro insucesso.

Algas – Facilmente encontradas seja nas águas límpidas das fontes e dos diques (o limo por exemplo, cujos pequenos ramos se iscam tão bem nos anzóis pequenos), seja nas pedras dos cursos de água e sobre as paredes de cimento das eclusas e canais (os filamentos enrolados em torno do anzol), são iscos estivais a usar preferencialmente na pesca em águas profundas ao escalo e as pardelhas; uma vez que durante os meses mais quentes quase todos os peixes de água doce preferem alimentar-se de substâncias vegetais, a alga revela-se eficaz mesmo na pesca de outros tipos de peixes.

Ginja madura – É um fruto a usar nos meses de Maio e de Junho para a pesca do escalo; depois de ter removido o caroço, introduz-se a linha no fruto de modo que o anzol (de pequenas dimensões) fique completamente escondido; para aumentar as possibilidades de sucesso, aconselha-se a engodar a zona da água onde se pretende pescar com gingas muito maduras nos dias precedentes ao da pesca. As ginjas podem ser substituídas por cerejas.

Melancia madura – Cubos de polpa de melancia madura revelam-se um isco saboroso para o escalo durante os meses estivais nas águas dos rios e dos lagos; peritos aconselham a selar completamente o anzol dentro da polpa e a usar uma baixada terminal quase desprovida de chumbos de calibragem, mas dotada de uma boia.

Aveias – Os grãos de aveia separados e amolecidos pelo menos durante uma noite, em água tépida, revelam-se indicados para a pesca da carpa, do escalo, da pardelha e da tenca, principalmente durante os meses mais quentes; bastará enfiar dois ou três grãos num anzol do tamanho 10 ao 12 e agir depois de ter engodado o pesqueiro onde se pretende pescar.

Feijões, favas e ervilhas – Feijões, favas e ervilhas, todos eles leguminosas dos quais sºao especiais apreciadores os ciprinídeos em geral e, em particular, a carpa e a tenca; podem ser utilizados sejam frescos, sejam secos; os frescos são mais fáceis de iscar; os secos devem primeiro ser cozidos, mas de maneira a não perderem consistência; a utilização destas leguminosas prevê uma ação maciça de engodagem.

Figos – A polpa madura dos figos mais escuros é um isco do agrado do escalo, principalmente daquele que vivem nos lagos; bastará aplicar os pedaços sobre o anzol, enrolando-o com fio resistente, mas incolor, adotando preferencialmente a técnica da pesca ao fundo; os pesqueiros ideais são os sobranceiros às margens onde crescem numerosas figueiras.

Trigo cozido – Alguns pequenos grãos de trigo cozido por meia hora em água ligeiramente açucarada transformam-se num isco ideal para a captura de olhos-vermelhos e escalos durante os meses outonais; para ter possibilidades de sucesso convém engodar bastante a zona onde se vai pescar.

Milho – Os grãos de tenros de milho, sejam frescos, sejam em conserva são iscos eficazes para a captura de numerosas espécies: barbos, escalos, carpas, pardelhas, olhos-vermelhos, tencas; para obter um isco a utilizar principalmente na pesca ao fundo com baixada fixa, basta eliminar a película externa e enfiar no anzol dois ou três grãos, deixando a ponta a descoberto.

Amora -Quer as amoras mais maduras dos silvados, quer as mais doces da amoreira se revelam iscos eficazes para a captura de escalos durante os meses estivais; é preciso esconder completamente o anzol no interior da polpa e lançar para dentro de água com particular delicadeza numa baixada leve.

Pão – Isco clássico facilmente obtido e particularmente eficaz para a captura de tainhas e pequenos ciprinídeos como por exemplo a boga; o pão requer um tratamento particular para que possa ser utilizado. Depois de retirar um pedaço do miolo mole de um pão ou uma carcaça, coloca-lo em torno da haste do anzol e comprimi-lo delicadamente desde a zona do olhal à curva do anzol.

Durante a fase do lançamento, é necessário agir com prudência de modo a que o isco não voe para fora do anzol. Muitos pescadores engodam abundantemente a zona onde pescam com este isco à base de pão, mas enriquecem-no com aromas tais como óleo de sementes de linho, etc.

Batata – Cubos de batata cozida, não demasiado, no interior da qual é inserido o anzol, preferivelmente um anzol triplo, são iscos particularmente eficazes para capturar a carpa nas correntes ou nos lagos. Em alternativa alguns pescadores usam batata frita iscada em anzóis de pequena ou média dimensão: com este tipo de isco, é possível pescar também o escalo, sobretudo durante a estação de inverno.

Uma negra ou branca – Bagos tenros de uva negra ou branca transformam-se em suculentos iscos para a pesca do escalo: a técnica a indicada para a ginja e amora.

Gafanhoto – Truta, truta-do-lago, olho-vermelho e escalo são particulares apreciadores de gafanhotos, incestos vivazes, só disponíveis durante os meses quentes do ano. O gafanhoto mais indicado tem o corpo castanho e o abdómen amarelo ou avermelhado; os verdes, pelo contrário, parece que não agradam ao paladar dos nossos peixes. Devem ser apanhados às primeiras horas da manha quando ainda estão atordoados pelo orvalho e devem ser iscados com delicadeza num anzol de dimensões reduzidas (8 a 10).

Ver de vase e fouillis – Disponíveis unicamente nos campos alagados, a larva dos mosquitos e das melgas, pequeno inseto de cor vermelha, deve ser iscada exclusivamente em anzóis minúsculos de competição (20-24), e ser utilizada com sucesso para a pesca de pequenos ciprinídeos, particularmente a ablette.

Joaninha – Do inicio da primavera ao fim de Outono no campo, não é difícil apanhar a joaninha, pequeno escaravelho vermelho com bolinhas pretas. É o isco ideal para a pesca do bordalo, da truta-marisca e do escalo. Isca-se a todo o seu comprimento com um anzol fino (11-14) e utiliza-se na pesca à deriva na corrente, tendo especial atenção ao lançamento, que deve ser delicado.

Mexilhão – Bom para a pesca ao fundo e de simples preparação: corta-se a polpa em pedaços e isca-se. Todavia é difícil mantê-lo agarrado à hasta do anzol. É especialmente adequado à dourada, mas aí deverá ser iscado por inteiro no anzol – de facto a dourada parte a casca com os dentes e depois engole a polpa.

Escaravelho-da-batata – O verdadeiro flagelo para as plantas de jardim em geral, mas em particular para a batata, este escaravelho de cor brilhante representa uma agradável refeição em especial para o escalo de grandes dimensões e também para a truta. Utiliza-se na pesca à deriva na corrente iscando delicadamente num anzol de hasta direita (nº8).

Fígado de galinha, de coelho ou de peixe – Filetes ou cubos de fígado de galinha, de coelho ou então de peixe, transformam-se num isco suculento ideal para a pesca ao fundo na captura de enguias, donzela-de-água-doce e, por vezes, até mesmo do esturjão. Isca-se em anzóis de boas dimensões, de preferência com haste achatada tendo a preocupação de esconder perfeitamente o metal.

Queijo picante – Queijo picante e macio, como o taleggio e o gorgonzola por exemplo, são iscos ideais para a captura de barbos, escalos e tencas, durante a estação inverna nas águas mais tranquilas. Bastará envolver em torno do anzol (6-10) um pedaço de queijo, modelando delicadamente em formato redondo. O uso deste tipo de isco, que deve tocar no fundo, prevê a eliminação da chumbada de chumbo da montagem terminal.

Camarão – Está entre os iscos mais usados na pesca a meia água e superfície. Fácil de encontrar na natureza, está dividido em inúmeras espécies. O camarão do rio, de pequenas dimensões, esverdeado, deve ser procurado nos estuários. Isca-se inserindo o anzol desde a cauda até à cabeça e é ótimo para a pesca ao sargo. O camarão do mar, semelhante ao do rio, tem dimensões ligeiramente superiores e uma coloração que tende a ser acastanhada; vai bem para a pesca da dourada, robalo e sargo de boca mole.

Carangueijo – Vivo, é usado quase só para a dourada. Procura-se na natureza por entre as rochas ou diretamente no mar. Atenção: deve ser iscado depois de lhe serem retiradas as patas posteriores e no local onde se enfia o anzol.

Tripas – Enguia. donzela-do-rio, bordalo: eis as presas que se podem capturar utilizando como isco pedaços dos intestinos de galinha, de coelho ou de peixe; as tripas melhores são aquelas não demasiado finas, que se possam colocar num anzol com boas dimensões depois de ter atado cuidadosamente na parte superior um pedaço de linha

Larva da mosca da carne (Asticot) – A larva da mosca da carne, mais conhecida como asticot, é um isco facilmente conseguido e igualmente de fácil utilização para a captura de todos os ciprinídeos . Colorida artificialmente de vermelho, torna-se excelente para atrair os barbos e as bogas. Usa-se de forma singular ou em dois ou três exemplares espetados num anzol de pequenas a médias dimensões, mas deve ser substituído com regularidade porque dentro de água esvazia-se facilmente. Isco amplamente usado em água doce, tem um emprego cada vez maior, mesmo na pesca de ma, onde se deve iscar no anzol em conjuntos de quatro. Revela-se útil também nas acções de engodagem.

Minhoca – A minhoca é um dos iscos mais difundidos, pois atrair qualquer tipo de peixe. Utilizam-se sobretudo três espécies: a minhoca do lodo, tendencialmente avermelhada, muito delicada e encontrada entre os limos dos estuários; a do estrume, com dimensões mais reduzidas mas mais vivaz na sua coloração avermelhada com riscas amarelas; a da terra, colhida facilmente nos terrenos húmidos e ricos, escura e de dimensões variáveis, particularmente adaptada à pesca noturna. Iscam-se num anzol de dimensões variáveis em função do tipo de exemplar que se quer capturar, utilizando eventualmente duas ou três.

Lesma – Nas águas lentas das valas ou nas lamacentas de alguns rios, a lesma, vermelha, viscosa sem concha, representa um isco apreciado pelos grandes escalor, para serem iscadas em anzóis de boas dimensões (4-6).

Olhos de peixe – Os olhos dos peixes, de modo particular os da ablette, assemelham-se às ovas dos peixes e isto, segundo alguns especialistas, é o motivo pelo qual podem ser utilizados eficazmente como isco para capturar percas e barbos. As suas dimensões impõem o uso de anzol fino (nº14) e de chumbada pesada, de modo a que possa permanecer junto ao fundo.

Lesma do mar – É um animal que vive em comunhão com o fundo do mar. De forma cilíndrica, tem um comprimento máximo de 30 cm e cor castanha. Deve ser utilizada retirando a membrana interna, que se extrair cortando as duas extremidades.

Caranguejo-eremita ou caramujo – É um pequeno crustáceo que tem o hábito de ocupar as conchas vazias nas quais se introduz. É facilmente avistado nas poças entre as rochas onde pode ser apanhado com uma rede ou com as mãos. É um opimo isco para a dourada, sargo e corvina. Para iscá-lo, deve partir-se primeiro cuidadosamente a concha, extrair delicadamente o caramujo e espetá-lo num anzol ainda vivo. Deve ser usado principalmente durante a noite para que não seja logo comido pelos peixes mais pequenos.

Lapa – Abundante nas rochas do litoral costeiro, é muito comum e encontram-se dois tipos; uma aparentemente maior, com a cabeça cor-de-rosa – o melhor é corta-la, pois não agrada muito aos peixes quando endurece. Escolha as lapas com a concha mais redonda e frágil, com o corpo cinzento e sem estar revestido de algas. Apanham-se com uma faca de ponta arredondada. É utilizada em diversas técnicas de pesca, porém não é considerada muito eficaz.

Sanguessuga – A sanguessuga, que se apanha nos diques lamacentos e se conserva em garrafas de plástico de boca larga, permite a captura de enguias, escalos, peixe-gato e olho-vermelho, principalmente durante a estação estival junto às margens dos açudes.

Sardinha – É o isco mais comum entre os peixes e é muito delicada e deteriorável. Visto que tem de ser usada sempre fresquíssima, convém colocá-la num saco frigorifico. É importante prepará-la antes da pesca, amanhando-a, retirando-lhe a espinha e depois deixando-a imersa em água salgada durante algumas horas. Finalmente é conservada em filetes no congelador a fim de poder ser utilizada quando for preciso. Em pedaços, é adequada para as tainhas enquanto inteira constitui um bom isco para peixes de grande volume, como por exemplo o robalo e a dourada.

Ovas de salmão – Nas lojas especializadas é habitual saltarem à vista potes preciosas contendo ovas verdadeiras de salmão que são capazes de atrair trutas de pequenas e médias dimensões, tanto que em certos locais é severamente proibido. Depois de as ovas terem sido retiradas com cuidado dos respetivos recipientes, bastará iscá-las nos anzóis de pequenas ou médias dimensões, particularmente afiados (duas ovas por anzol nº12, três ovas por anzol nº10, …). O problema na verdade reside apenas em esconder perfeitamente o anzol simples ou triplo da vista do peixe para que ele não tenha a possibilidade de se ir embora depois de provar a saborosa guloseima.

Vermes – Constituem no seu conjunto o isco mais utilizado para a pesca ao fundo. Encontram-se com facilidade à venda nas lojas da especialidade. Vejamos então quais são os mais difundidos:

  • Ganso – É muito apreciado pelos pescadores desportivos, seja para a pesca a partir da margem, seja na praticada de barco.
  • Minhoca serrada – Ideal para a pesca ao fundo, pois possui uma boa mobilidade mesmo depois de estar iscada.
  • Tiagem ou tiage – É um verme frágil usado principalmente na pesca da ferreira; é facilmente colhida por baixo das lajes de pedra nos bancos de areia.
  • Casulo – É um isco que dá ótimos resultados na pesca da dourada, ferreira e sargos principalmente. nos meses frios, porque morre rapidamente a temperaturas elevadas.